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VARGA:
destino do dinheiro da venda da Freios Varga é definido
no family office
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Milhões
em família
Empresários
montam equipes de experts para gerir suas fortunas
Fabiana
Godoy
Existe
um tipo de empresário em extinção no Brasil.
Aquele acionista que confiava cegamente a administração
de sua fortuna ao financista da empresa ou à equipe de
um private bank. No lugar dele estão surgindo empresários
que tratam sua riqueza pessoal como capital. Para cuidar da gestão
desses recursos eles montam uma estrutura profissional que não
tem nada a ver com seu negócio principal. São escritórios
de finanças privadas chamados de family offices que, dependendo
do dinheiro em questão, podem contar com até 20
profissionais, entre analistas financeiros, contadores e advogados.
Os maiores funcionam como verdadeiros bancos com um único
cliente, o dono. Hoje já existem pelo menos 15 family offices
no Brasil, todos com carteiras de no mínimo 200 a 250 milhões
de reais. O assunto é tratado com a discrição
que as grandes fortunas exigem. Mas sabe-se que mesmo famílias
de banqueiros, como os Safra e os Moreira Salles (do Unibanco),
têm escritórios exclusivos para questões relacionadas
ao próprio bolso. O perfil do empresário brasileiro
está mudando, diz o consultor de empresas Renato
Bernhoeft. Eles começam a administrar os recursos
da família de modo mais profissional para desvincular do
patrimônio da empresa.
A
idéia dos family offices foi trazida dos Estados Unidos
onde clãs como os Rockefeller, os Kennedy e os Du Pont,
sempre separaram suas fortunas da contabilidade da empresa. Esse
segmento é tão próspero por lá que
há atualmente 1 milhão de consultores os
financial advisors dando assessoria em finanças
pessoais. O modelo americano serviu de inspiração
aqui no Brasil para os três sócios da Natura (Antônio
Luiz Seabra, Guilherme Peirão Leal e Pedro Luiz Passos).
Eles montaram um family office em parceria com José Guimarães
Monforte, um alto executivo da área financeira, com passagens
pela Merril Lynch, Citibank e a presidência da VBC. Trabalhamos
para nós mesmos, diz Monforte. Fizemos isso
para melhorar a performance e o custo do investimento. O
escritório na verdade uma nova empresa, batizada
de Janos conta com quatro analistas que mapeiam produtos
no mercado financeiro. Criamos sistemas de seleção
de investimentos para escolher o que há de melhor.
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MARKAKIS:
Equipe de 17 pessoas em um verdadeiro banco particular
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Além
de ativos líquidos, o dinheiro do grupo também é
usado em private equity. Em 99 eles avaliaram 50 projetos e acabaram
colocando dinheiro (nunca mais de 20% do negócio) em dois
sites: o Klick Educação (com a editora Klick) e
o Lineinvest (em parceria com o Banco Fator). Daqui para frente
querem ter um terço do seu capital em novos empreendimentos.
É um dinheiro em busca de um bom negócio,
avalia Monforte.
A maioria dos family offices brasileiros acaba investindo pesado
em participações. Um exemplo de diversidade de ação
é o GLS/A, a holding que cuida do dinheiro particular de
três dos sócios da Klabin Papel e Celulose. Estamos
farejando oportunidades, diz Paulo Galvão, sócio-gerente
do grupo Klabin e que está à frente do escritório.
Além de investir no mercado de capitais, a GLS/A põe
dinheiro em empresas embrionárias de Internet, agropecuária,
imóveis, participação acionária (são
sócios da Drogasil e da Klick Editora) e em sites de conteúdo
(o Klick Educação, em parceria com a Janos, por
exemplo). Para dar conta de tantos negócios, o escritório
tem 15 profissionais, tanto da área financeira como da
jurídica. Com o family office você contrata
executivos competentes, dá stock options para eles e diversifica
seus investimentos, diz Galvão.
Os
family offices ganharam mais força por aqui de quatro anos
para cá, sob os efeitos da estabilização
do real e da globalização. Com a vinda maciça
de capital estrangeiro, as fusões e aquisições
criaram uma nova categoria empresarial: a dos ex-donos, empresários
sem seu negócio de origem e com muitos milhões na
mão. O family office é o caminho natural,
principalmente para quem está ficando com grandes somas
de dinheiro do dia para a noite, revela o presidente da
área de private bank de um banco estrangeiro. Foi o que
aconteceu com o empresário Celso Varga. Ao vender sua antiga
empresa, a Freios Varga, para o grupo inglês Lucas Varity,
estima-se que ele tenha colocado US$ 90 milhões no bolso.
O passo seguinte foi montar um escritório de participações
para decidir onde sua carteira pessoal seria investida. Por enquanto
ele já entrou com sociedade em três empresas, a Kentinha
(de embalagens de alumínio), a Fontovit (de vitaminas)
e a Brasfio (de cabos ópticos).
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MONFORTE,
SÓCIO DOS DONOS DA NATURA NA JANOS: Trabalhamos
para nós mesmos
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Ex-donos
em ação. Assim como Varga, muitos homens de
negócio que vão dormir empresários e acordam
ex-donos não querem a aposentadoria. É gente
que tem talento e não pode ficar parada, diz Dimitrios
Markakis, ex-proprietário do supermercado Cândia.
A família de Markakis mantém hoje um minibanco de
investimentos com 17 executivos para mapear boas oportunidades
em várias áreas. É uma estrutura totalmente
profissionalizada. Eles são sócios brasileiros
com 15% do grupo Soane (que havia comprado a rede
Cândia), possuem investimentos imobiliários, 35 mil
cabeças de gado, compraram a rede DiCicco (de materiais
de construção) e acabam de lançar duas unidades
de entrepostos logísticos gigantes. Entramos como
investidores majoritários, revela Markakis.
O caso dos ex-controladores do Cândia chama atenção
pelo arrojo. Normalmente, após a venda da companhia familiar,
há muita cautela na escolha de um novo investimento, principalmente
de outro setor. É o que aconteceu com Pedro Conde Filho,
um dos herdeiros do extinto BCN. Depois de se afastar da empresa
familiar, ele levou dois anos até entrar num novo negócio.
Vi várias coisas antes de trazer a rede de lanchonetes
KFC para cá, conta. A experiência não
foi muito bem sucedida e hoje ele mantém um pequeno family
office com um analista para fazer avaliações de
novos negócios. A última empreitada foi a rede de
restaurantes Red, em São Paulo. Os outros membros da família
Conde - o pai e os dois irmãos também possuem
escritórios individuais. Uma vez por semana conversamos,
trocamos idéias de estratégia e novas oportunidades,
diz Conde Filho.
Como estes empresários têm capital de sobra, eles
são bombardeados por candidatos a sócios. Me
trazem centenas de negócios todos os dias, diz Ronaldo
Sampaio Ferreira, ex-dono da Bombril e que hoje mantém
um family office em São Paulo. Ele concentra seus investimentos
em pecuária e em imóveis. Nunca vi ninguém
falir porque tem imóvel. Também possui uma
agência de turismo e participação na empresa
de telecomunicações Atrium Telecom. Para auxiliá-lo
na gestão de sua fortuna ele conta com três profissionais,
entre os quais um gerente financeiro. O conservadorismo de Ronaldo
não é exceção. A maior parte
deles se concentra em renda fixa. Quem vende a empresa de repente
se vê com valores altos sem estar acostumado ao mercado
financeiro, diz Carlos Eduardo Castiglioni, diretor do private
bank do banco de investimentos Fleming Graphus.
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