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MOEDA FORTE

PESADELO

Foto: Joedson Alves

Ao engavetar o projeto de renovação da frota defendido pelo setor automobilístico, o governo desferiu um golpe nos planos do presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto. Em conversas reservadas, ele definia o programa como a grande obra de sua gestão. De acordo com sua avaliação, a renovação aumentaria as vendas internas e, por tabela, daria partida no processo de reaquecimento da economia. Assim, Pinheiro Neto deixaria de lado as más notícias. Explica-se: ao assumir a entidade, a produção do setor era de 2 milhões de veículos por ano e a expectativa, de 3 milhões em pouco tempo. A recessão derrubou essa bandeira. Em 99, não saíram mais de 1,4 milhão de carros das linhas.

CARREIRA
Sem alarde ou explicações, bem ao estilo alemão, a fabricante de geladeiras, lavadoras e fogões BS-Continental trocou de presidente. Sérgio Barcellos deixou o cargo dia 31 de março e foi substituído por Luís Eduardo Moreira Caio, funcionário de carreira da Metalfrio, empresa do grupo. Barcellos era da turma de executivos remanescentes da época em que a companhia era controlada pela família Giaffone, que vendeu o negócio para a Bosch-Siemens há seis anos.

QUASE

Engana-se quem acredita que os interessados no Grupo Ipiranga saíram correndo após descobrir que os sócios controladores queriam US$ 1,8 bilhão pelas empresas. Quem acompanha as negociações de perto garante que o negócio sai dentro de dois meses. O valor: US$ 1,5 bilhão. O comprador: Repsol.

À ITALIANA
Em um seminário realizado no Brasil, o professor de Harvard, Luigi Zingales, defendeu a superioridade do modelo de mercados financeiros de países colonizados por anglo-saxões. Zingales, no entanto, foi condescendente: “Os países que não tiveram a boa sorte de serem assim colonizados não estão condenados à danação eterna.” Ufa...

EFEITO COLATERAL
A CPI do Narcotráfico acabou beneficiando as seguradoras. O desbaratamento de duas quadrilhas de roubo de cargas do País fez desabar o número de ataques aos caminhões e, como conseqüência, o volume de indenizações. Até outubro, as estatísticas do IRB mostravam um total de 92 sinistros de 100 contratos de proteção a transportadoras. Dois meses depois, o índice havia caído para 37% das cargas seguradas.

NAMORO
A rede de tevê paranaense CNT nem bem terminou a separação da paulista Gazeta e já procura outra emissora para se associar. As conversas são preliminares, mas a candidata seria a Rede TV! A aliança reduziria custos e aumentaria a presença nacional de ambas.

EXEMPLO
Analistas apostam que o site Amélia.com irá seguir exatamente o caminho da mãe, o Grupo Pão de Açúcar. O primeiro passo seria o lançamento de ações no Brasil, seguido de um IPO em Nova York. É uma questão de tempo, dizem.

PAPEL PASSADO
A Odebrecht já colocou à venda sua participação no projeto Veracel, associação com o grupo sueco-finlandês Stora-Enso para produção de papel e celulose na Bahia. Detalhe: a fábrica ainda não saiu do papel, mas o grupo baiano espera ofertas.

CANAL VERDE

O sistema de fiscalização de entrada de produtos no Brasil está esquentando o clima nos corredores da Receita Federal. Mercadorias estão entrando no País ilegalmente ou sem o pagamento de impostos, porque passam direto pelo chamado “canal verde” – que não exige qualquer tipo de monitoramento fiscal. O problema está gerando insatisfação dentro e fora da Receita. Carta enviada pelo Ministério da Defesa à inspetoria do Porto de Santos, assinada pelo general Paulo César Lima de Siqueira, confirma a entrada ilegal dos produtos. A questão é tão grave que suspeitas de corrupção levaram o secretário Everardo Maciel a demitir seis pessoas que trabalhavam no órgão no Rio de Janeiro. Outras 50 deverão seguir o caminho da rua.

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