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DINHEIRO DA REDAÇÃO
Foto: Gustavo Lourenção

Piscou ou não piscou?

O Banco Central piscou? A dúvida prussiana poderia receber de pronto uma resposta fácil: não. Na incisiva avaliação dos videntes de cenário, nos saraus de economistas-consultores, nas conversas dos chegados ao poder, o tom é o mesmo: ter cautela é bom e o momento não inspira maiores ousadias. Mexer nos juros para baixo, agora, seria pôr o pé no cadafalso. Mas, por um instante, coloque-se leitor no posto daqueles tubarões do mercado. Opere aquela mesa dos senhores insaciáveis do capital, players da aposta a qualquer custo. Qual leitura poderia fazer diante da hesitação do oponente? Que mirabolantes princípios matemáticos, ou astrológicos, poderiam estar substituindo a fria comparação de números. O alvo, ou presa, fez o dever de casa, arrumou suas contas, assistiu ao recuo de fantasmas como inflação e desemprego, e mesmo assim insistiu na taxa de juros que vem minando suas resistências contábeis. Há! claro, tem os EUA mudando as regras do jogo, tem o vizinho Argentina fraquejando, tem o petróleo...tem o mundo dizendo não mexe. A vítima está acuada, com medo das circunstâncias, vamos atacá-la!
18,5% ou 18% ou 49%, qual taxa é ideal para evitar a fuga de capital sem comprometer as metas? Na banca dos players, onde o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, jogou com desenvoltura, não existe a taxa cabalística, a remuneração suficiente. É a elementar ponderação de riscos e ganhos que dita o jogo. Os EUA pagam 6,5%, 7%. Mesmo a Argentina paga menos de 10%. O Brasil está melhor nos seus “macroindicadores”, mas continua bancando alto. Que diz o tubarão? É porque a turma de lá teme que não consiga dar conta de seus números. Baixar os juros seria medida arrojada, mas sinalizadora de que o BC confia nas próprias cartas.

Carlos José Marques

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