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Piscou
ou não piscou?
O
Banco Central piscou? A dúvida prussiana poderia receber
de pronto uma resposta fácil: não. Na incisiva avaliação
dos videntes de cenário, nos saraus de economistas-consultores,
nas conversas dos chegados ao poder, o tom é o mesmo: ter
cautela é bom e o momento não inspira maiores ousadias.
Mexer nos juros para baixo, agora, seria pôr o pé
no cadafalso. Mas, por um instante, coloque-se leitor no posto
daqueles tubarões do mercado. Opere aquela mesa dos senhores
insaciáveis do capital, players da aposta a qualquer custo.
Qual leitura poderia fazer diante da hesitação do
oponente? Que mirabolantes princípios matemáticos,
ou astrológicos, poderiam estar substituindo a fria comparação
de números. O alvo, ou presa, fez o dever de casa, arrumou
suas contas, assistiu ao recuo de fantasmas como inflação
e desemprego, e mesmo assim insistiu na taxa de juros que vem
minando suas resistências contábeis. Há! claro,
tem os EUA mudando as regras do jogo, tem o vizinho Argentina
fraquejando, tem o petróleo...tem o mundo dizendo não
mexe. A vítima está acuada, com medo das circunstâncias,
vamos atacá-la!
18,5% ou 18% ou 49%, qual taxa é ideal para evitar a fuga
de capital sem comprometer as metas? Na banca dos players, onde
o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, jogou com
desenvoltura, não existe a taxa cabalística, a remuneração
suficiente. É a elementar ponderação de riscos
e ganhos que dita o jogo. Os EUA pagam 6,5%, 7%. Mesmo a Argentina
paga menos de 10%. O Brasil está melhor nos seus macroindicadores,
mas continua bancando alto. Que diz o tubarão? É
porque a turma de lá teme que não consiga dar conta
de seus números. Baixar os juros seria medida arrojada,
mas sinalizadora de que o BC confia nas próprias cartas.
Carlos
José Marques
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