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OUTRAS
PRAIAS: O ex-dono vai investir em shoppings e na área
de alimento
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Holandeses
voltam ao nordeste
Por que João
Carlos deixou o Bompreço
João
Carlos Paes Mendonça, 61 anos de idade e 52 anos de varejo,
está se despedindo das gôndolas e caixas registradoras.
Na terça-feira, 23, passou as primeiras horas da manhã
redigindo um comunicado interno aos 21,5 mil funcionários
da rede Bompreço, anunciando a decisão de vender
sua parte na empresa aos sócios holandeses do Royal Ahold,
gigante de US$ 30,4 bilhões que mantém uma parceria
com a rede nordestina desde dezembro de 1996. Na carta, João
Carlos justificou a venda como uma decisão serena,
pensada e que objetiva atender aos interesses maiores da empresa.
Entenda por interesses a pressão da rede holandesa, ávida
pela expansão no Brasil. Pelo acordo, estimado em R$ 600
milhões, os holandeses levam o Bompreço Supermercados
do Nordeste, o Bompreço Bahia (antiga Supermar), o Bomclub
(clube de fidelização) e o Hipercard (cartão
de crédito com 1,4 milhão de clientes). No total,
102 lojas.
Apesar do clima de adeus, o sexagenário empreendedor
está longe de vestir o pijama. É bem verdade que
repassou aos sócios o filé mignon da holding BompreçoPar.
Mas ainda manteve importantes negócios nas áreas
de comunicação, alimentos e imobiliária.
João Carlos mantém sob sua guarda 1,3 mil funcionários
distribuídos entre o Sistema Jornal do Commercio (sete
emissoras de rádio, uma de tevê e um jornal); o Shopping
Center Tacaruna; a Avícola da Gema e a Frutivale Fruticultura
Irrigada. João Carlos ainda mantém atividades paralelas
como a exportação de mangas (colhidas em sua fazenda
em Juazeiro, na Bahia) para a Europa e EUA e o trabalho social
que faz em sua terra natal, Serra do Machado (SE), através
da Fundação Pedro Paes Mendonça. Na sede
do Bompreço, no Recife, executivos próximos a João
Carlos garantem que ele está entusiasmado com a possibilidade
de atuar de forma mais direta nas demais atividades da BompreçoPar.
Analistas de mercado sustentam outra tese, a de que o empresário
já não tinha mais fôlego financeiro nem disposição
para acompanhar o crescimento desejado pela Ahold. A última
grande aquisição foi a rede Supermar, na Bahia.
Depois disso o Bompreço ficou muito tímido em relação
aos concorrentes, diz o consultor Eugênio Foganholo,
da Mixxer Desenvolvimento Empresarial. Tanto que, em1999, a rede
nordestina perdeu o terceiro lugar do ranking para o português
Sonae, mesmo aumentando seu faturamento de R$ 2,5 bilhões
para R$ 2,7 bilhões.
Ciente disso, os holandeses armaram o bote. O próximo passo,
de acordo com o vice-presidente do Royal Ahold, Hans Gober, é
avançar em direção ao Sudeste. O Ahold
pode vir a comprar uma cadeia de supermercados em São Paulo.
A possibilidade e o dinheiro existem, disse em entrevista
a DINHEIRO. Acontece que qualquer movimentação no
varejo brasileiro depende diretamente dos acordos que estão
sendo feitos na Europa berço da maior parte dos
grupos supermercadistas presentes no País. Depois da união
entre Carrefour e Promodés, no ano passado, os holandeses
se aproximaram do português Jerônimo Martins, que
por aqui é dono da rede Sé. Essa seria uma boa chance
para a Ahold fincar seus pés na região Sudeste.
O problema é que o Jerônimo Martins e o Sonae também
querem se juntar e aguardam um aval do governo português.
Além disso, continuam os boatos de união entre o
Ahold e o francês Casino, sócio do Pão de
Açúcar. O Bompreço não poderá
mais carregar a bandeira orgulho de ser nordestino.
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