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VILLALONGA,
O CHAIRMAN: Avanço nos Estados Unidos e na América Latina
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Big
bote Telefônica
Espanhóis
se armam para montar um império de tevê e rádio
no Brasil e não param de abrir fronteiras
Ricardo
Osman
A
espanhola Telefônica está decidida a ser dona de
um conglomerado de comunicação, com rede de televisão
e rádio, no Brasil. Quem sabe até tornar-se a grande
rival da poderosa Rede Globo. Nos últimos meses, os executivos
da empresa têm voado de Madri para São Paulo e Rio
para reuniões com diretores das maiores emissoras do País.
Os alvos prioritários dão mostras da ambição
dos ibéricos: o SBT de Sílvio Santos e a TVA, vice-líder
no setor de televisão por assinatura. Estamos em
fase exploratória. Nossa estratégia é ter
o controle majoritário de veículos de comunicação
no Brasil, revelou a DINHEIRO um alto executivo da Telefônica
Media, braço do grupo responsável pelo projeto.
As conversas com o grupo de Sílvio Santos estão
indo bem, começaram há quatro meses e temos tido
boa receptividade. Sobre a TVA, o cenário é ainda
mais positivo.
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FERREIRA,
DO BRASIL: Comandante da primeira fase da conquista, a da
telefonia
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A
ordem, na Espanha, é acelerar o plano de construir um império
de telefonia, Internet, redes de tevê aberta e por assinatura
e de rádio, algo à altura da ousada aquisição
do provedor americano Lycos pelo Terra, o portal do grupo, agora
o quinto maior do mundo. O modelo já foi implantado na
Argentina. Lá, a companhia já era dona da maior
operadora de telefonia e é uma das líderes no mercado
de Internet com o Terra. Há 15 dias, a Telefônica
Media tomou posse, em Buenos Aires, das populares emissoras Telefe
e Canal Azul, em negócio avaliado em US$ 1,2 bilhão.
No Brasil, onde a empresa atua em telefonia e Internet, a situação
é mais complexa. Os planos para o setor de comunicação
são ambiciosos, mas estão ainda limitados pela legislação
brasileira, que não permite a presença de estrangeiros
em emissoras de canal aberto. Projeto que muda esta situação
tramita há dois anos no Congresso, sem data para votação.
Se não for possível ter o controle acionário,
numa fase inicial seremos gestores do conteúdo, da programação,
diz o graduado executivo.
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VIANA
BAPTISTA, PRESIDENTE INTERNACIONAL: O Brasil é
nossa
prioridade número um, dois e três
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As
expedições espanholas às sedes dos principais
grupos brasileiros de comunicação têm sido
freqüentes. Diretores da Telefônica têm conversado
longamente com os executivos do SBT, e estiveram até na
Rede Globo. O vice-presidente do SBT, José Roberto Maluf,
confirmou a DINHEIRO ter recebido em São Paulo o vice-presidente
da Telefônica Media, Antônio Barreto, mas rechaçou
qualquer possibilidade de Sílvio Santos entregar, um dia,
o controle acionário aos espanhóis. Antônio
Barreto nos fez uma visita, mas nós buscamos parceiros
apenas para a área de conteúdo e programação,
reforçou ele. O controle do SBT sempre ficará
com Sílvio Santos.
Da
Gran Via, sede da Telefônica em Madri, a única proposta
firme mesmo partiu endereçada à cúpula da
TVA. No Grupo Abril, ninguém comenta o assédio dos
espanhóis. A intenção da Telefônica
Media, assim como a de outras empresas interessadas em associação
com a TVA, estão sendo avaliadas pelos analistas do banco
americano Goldman Sachs, de Nova York, contratado pela Abril para
analisar futuras parcerias. A melhor oferta será escolhida
nas próximas semanas. A programação de tevê
poderá estar no Terra e os cabos da tevê por assinatura
serão usados na Internet. Tudo isso estará conectado
pela rede de cabos submarinos, que vai margear a região
e ligá-la aos EUA, a ser instalada a partir de agosto,
a um custo de US$ 1,7 bilhão. Um colosso digno dos sonhos
de Juan Villalonga, 47 anos, o chairman da Telefônica.
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APLAUSOS
DO MINISTRO: Pimenta da Veiga (quarto à dir.) na
entrega simbólica de três milhões de
linhas
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A
Telefônica já investiu no Brasil, de 1998 até
agora, US$ 8 bilhões considerando a América
Latina, o total é de US$ 14 bilhões. A companhia
desembarcou por aqui em busca do precioso mercado de telefonia.
Sob o comando do presidente Fernando Xavier Ferreira já
é o maior grupo de telecomunicações do País,
com faturamento de R$ 11,8 bilhões no ano passado. Suas
empresas, a Telefônica São Paulo, Tele Sudeste Celular
(RJ e ES) e a CRT Celular, devem investir R$ 4 bilhões
neste ano. O Brasil é nossa prioridade número
1, 2 e 3, reforça o presidente internacional da Telefônica,
o português António Viana Baptista, de 42 anos. A
empresa tem mostrado, nos anos bons e nos ruins, que está
realmente interessada em investir no País.
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