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TERCEIRO SETOR Paula Pacheco
Há mais de duas décadas O Boticário é conhecido pelos investimentos que faz em produtos que tornam as pessoas mais bonitas. Dez anos atrás, entretanto, a empresa paranaense percebeu que era preciso ir além dos batons e dos perfumes e apostou na recuperação de um outro tipo de beleza: a da natureza. Foi quando criou a Fundação O Boticário, que até agora apoiou mais de 600 programas ligados ao meio ambiente, de norte a sul do País. Só neste ano estão em andamento 203 projetos e a verba será de R$ 3,3 milhões. Duas vezes por ano, nos meses de março e agosto, a fundação reúne 80 consultores voluntários que analisam a viabilidade dos planos. Todo mundo tem chance de ter a sua proposta aprovada e o valor financiado varia de R$ 1 mil até R$ 40 mil. Pode ser, por exemplo, a compra de um barco que será usado em pesquisas na região amazônica, uma tese de mestrado sobre pássaros em extinção ou até a preservação de uma área verde urbana. Para facilitar a seleção, os projetos são divididos em programas, como o de conservação da natureza, o de proteção à vida silvestre, o de educação e o de áreas protegidas. O projeto mais importante da fundação é a reserva de Guaraqueçaba, onde já foi investido US$ 1,7 milhão. Em 1994, três fazendas no litoral norte do Paraná num total de 2.340 hectares de mata atlântica foram compradas e transformadas em reserva ecológica. Além da preservação ambiental, a área serve para pesquisas e recebe grupos, como escoteiros, estudantes e até o pessoal da terceira idade, que fazem trilhas pela mata e aprendem um pouco mais sobre educação ambiental. Os mais sortudos conseguem ver garças, tamanduás, cachorros do mato e até jaguatiricas passeando pela floresta. No ano passado, mais de 6 mil pessoas conheceram a reserva de Guaraqueçaba. Depois de adquirir as três fazendas no litoral paranaense, a fundação teve de resolver outro problema: encontrar uma atividade alternativa para as cerca de 30 famílias que moravam na região e sobreviviam da exploração criminosa do palmito nativo da mata atlântica. Elas viviam em condições muito precárias e não podíamos simplesmente tirá-las de lá, conta Malu Nunes, diretora da fundação. Há três anos foi desenvolvido um programa para a comunidade aprender a trabalhar com artesanato. Hoje eles vivem da venda de cestas decorativas, feitas do junco da região e usadas nas 1.700 lojas da rede de O Boticário. Apesar de apoiar tantos projetos, a Fundação O Boticário tem uma equipe pequena, com 14 funcionários, que usam um software de gerenciamento para administrar o pagamento das verbas e avisar quando chega a data da prestação de contas dos beneficiados. A entidade facilita a vida daqueles que conseguiram o apoio financeiro. Não existe burocracia, garante Malu. Duas vezes por ano o autor do projeto preenche um relatório, comprova suas despesas e envia um vídeo que mostre como está o trabalho. Exatamente por causa da extensa área de atuação da fundação que poucos funcionários do Boticário participam como voluntários. Eles descobriram, porém, que há outras formas de colaborar com o meio ambiente, como o programa de coleta seletiva de lixo. As 75 toneladas de papel recolhidas por ano são vendidas e o dinheiro arrecadado se transforma em 100 mil cadernos distribuídos para alunos carentes da região de Curitiba. O mais difícil é mudar a idéia que as pessoas têm de que o meio ambiente é lá longe, nas florestas. A gente pode começar a ajudar em casa mesmo, ou no trabalho, ensina a diretora da fundação. |
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