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CAPA DA SEMANA

MARKETING
O Radar do presidente
Quem é a MCI de Antonio Lavareda

Fabiane Stefano

Foto: Geyson Magno / Ag. Lumiar
LAVAREDA: Especialidade é estratégia de comunicação para políticos e empresas

O governo brasileiro já não se move pela intuição política do presidente. Como uma grande empresa, o Palácio S/A movimenta-se, desde 1994, orientado por radares de marketing. Quem maneja os caros instrumentos de orientação é uma empresa pouco conhecida fora de Recife, a MCI, do acadêmico pernambucano Antonio Lavareda. Sua especialidade é a estratégia de comunicação para políticos e empresas. Lavareda tem 11 clientes além da Secretaria de Comunicação da Presidência. Entre eles estão a Fundação Roberto Marinho, Roseana Sarney, Tasso Jereissati, Jarbas Vasconcelos... “Eu ajudo as pessoas e as organizações a projetar a imagem de que necessitam”, explica o empresário, que sete anos atrás era apenas professor da Universidade Federal de Pernambuco. Hoje não conta quanto fatura, mas revela que apenas da Presidência recebeu R$ 3,6 milhões por um contrato de um ano, que vence em agosto – e vem sendo renovado desde 1994. É notório em Recife e Brasília que Lavareda tem a conta de toda a comunicação do Estado de Pernambuco, com verba anual de R$ 30 milhões. Se ainda exercesse apenas a atividade de professor, os seus rendimentos estariam em torno de R$ 2,7 mil mensais.

A MCI foi quem divulgou os primeiros resultados do Plano Real e acompanhou a ascensão entre os eleitores do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. “No dia do lançamento do Real, as pesquisas já indicavam a vitória de FHC nas urnas”, diz Lavareda. Hoje, pelo menos duas vezes ao mês, a consultoria monitora a popularidade do presidente. Nos últimos meses, diz Lavareda, 20% dos consultados classificam entre ótimo e bom o governo FHC. Os dados da MCI são submetidos ao Palácio que, ao melhor estilo Ricupero, mostra o que é bom e esconde o que é ruim. A última pesquisa pedida pelo Planalto queria a opinião dos eleitores a respeito das ações dos sem-terra. Por telefone, 75% dos consultados condenaram o MST. Para Michel Zaidam, antigo colega da UFPE, a metodologia de Lavareda é questionável, pois só é consultado quem tem telefone. “O governo está tentando criminalizar o movimento e utiliza as pesquisas para isso”, acusa o deputado José Dirceu, do PT.

Considerado competente e discreto pelos aliados do governo, Lavareda fincou raízes na floresta dos tucanos, sobretudo no Nordeste. “Ele tem o acesso facilitado pelos amigos poderosos”, diz Zaidan. A empresa de Lavareda inaugurou há um mês um site de pesquisas on line no iG, outro grande cliente da MCI.

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