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EDITORIAL
Baixaram índios, caciques no terreiro do Planalto para reclamar contra a mudança no código florestal. Agricultores também tomaram a praça dos Três Poderes atrás de pacote para o setor. Aposentados, militantes da Cut, sem-terra. Uma festa de protestos, enquanto congressistas fechavam questão no mínimo de 151. O governo teve de esgrimir combates em várias frentes. O presidente acabou por ameaçar traidores políticos aliados que votaram contra a MP do mínimo e buscar aliança com representantes da Contag, neutralizando o MST. A pajelança de FHC deu certo. Os feiticeiros de sua maior vitória política são curiosamente os assessores econômicos. Malan, Armínio, a equipe em peso teve de entrar no pelotão e fazer a linha de frente de um inesperado corpo-a-corpo com parlamentares e adversários. Quem observa pela ótica estritamente política diria que o governo vive tempos conturbados. Mas os números da economia, para além dos embates de caciques, dão o tom de uma fase dourada da administração FHC. Registro, agora, oficial: no primeiro trimestre, foi de 3,08% o crescimento do País, puxado pela indústria, que cravou mais de 5%. Detalhe: é crescimento com inflação em queda. O melhor dos mundos não fossem os juros, injustificadamente ainda estelares. O somatório dos macroindicadores turbina o ânimo do presidente, que sabe, desde sempre, do vínculo de sua boa imagem aos resultados da produção. A safra agrícola que vem por aí recorde, dizem os pajés do real demonstra que a dança da chuva, também nesse campo, deu certo. É torcer para que nenhuma flechada derrube o feitiço do chefe. Carlos José Marques |
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